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O descuido e a surpresa....

Livro: Minha Vida

Por: Amanda Amorinn


Continuação...


(...) Eu bati a porta e chorei, como nunca chorei na vida, muito, soluçava de tanta dor que estava sentindo, nunca havia falado com ela daquela maneira assustadora, mas sabia que era necessário, precisava desabafar depois de todos esses anos em silencio. Após me recuperar do choro, peguei as chaves, minha bolsa e saí com o carro. Estava perdida pela cidade, quando pensei em dar uma volta pela orla da praia, dei a volta com o carro e quando vi tinha batido na traseira de um carro estacionado.

____ Merda, eu não acredito! ( fiquei parada por alguns minutos estagnada sem saber o que fazer, na verdade eu não acreditava no que estava acontecendo. Como eu pudera bater em um carro estacionado? Estava comprovado, não existiria ser pior de roda quanto eu!), Como eu sou estúpida! (Nesse momento uma mulher de uns 23 anos, cabelos castanho claro liso, deveria ter no mínimo 1,67 de altura, poderíamos classificá-la como uma falsa magra, aproxima-se do meu carro, abaixa a cabeça até a janela.)

____ Boa noite!

(levei um susto é claro, estava totalmente estagnada sem saber o que fazer mas em seguida virei-me para cumprimenta-la.).

____ Boa noite!

____ Você não me parece estar bem. Esta machucada? Sou médica posso ajudá-la?

____ Bem, eu eu eu eu acho que não. Não estou sentindo nada, só estou bastante assustada com o que houve, como pude ser tão estúpida, bater em um carro estacionado! ?

____ É! Na verdade nunca vi tal coisa, mas sempre há uma primeira vez para tudo não acha? (Nesse momento a medica me olhou bem dentro dos meu olhos e pude reparar uma coisa estranha nela).

____ Sim, é verdade você tem razão, mas o que faço? Não sei nem por onde começar.

____ Primeiro, seria mais fácil resolver as coisas se saísse de dentro do carro. ( a medica abre a porta do carro para que eu pudesse sair) Depois pegamos o celular e ligamos para o reboque. O que você acha?

____ E a policia, temos que ligar para registrar. Como vou achar o dono do carro? Ai meu Deus, to ferrada! Que problemão fui arranjar, ta vendo Deus castigou!

____ Não se preocupe com isso, não darei queixa de você! (rs)

____ Ai, droga, o carro é seu? ! ! Que coisa horrível, mil desculpas, não sei nem o que dizer.

____ Já disse, não se preocupe, meu seguro cobre tudo! Mas tem certeza de que esta bem?

____ Tenho. Não. Não sei!

____ Ta, vamos ao meu consultório é aqui em frente, você esta com um corte no supercílio esquerdo.

____ Não é necessário, vou esperar o reboque chegar e vou para casa, acho que já lhe dei muito prejuízo por hoje, não quero dar mais trabalho.

____ Eu faço questão! Não seria trabalho algum, a final é meu dever lembra? !

( Nós então esperamos pacientemente o reboque, e logo depois fomos até o consultório, que era do outro lado da rua, em cima de uma farmácia. )

____ Prontinho chegamos, pode sentar ali. (O consultório tinha um banheirinho, uma cozinha pequena também para imprevistos, duas salas, uma para espera onde ficava a mesa da recepcionista e uma outra, bem maior que era a sala da medica, nessa sala havia uma mesa enorme toda de madeira maciça, nela havia um porta retrato com uma mulher e uma criança, olhei atentamente procurando reconhecer as pessoas mas disfarcei assim que a doutora entrou na sala.)

____ Gostou do retrato?

____ É. Sou curiosa e gosto de fotos.

____ Bem, essa mulher aqui é a minha mãe, ela morreu quando eu tinha 15 anos. Sabe ela tinha câncer devido ao uso excessivo de cigarro, sabíamos que ela não ia durar muito, o medico nos deu 4 anos, ela conseguiu sobreviver 10 e logo depois que fiz aniversario o câncer se espalhou e ela não resistiu. Dizia que o sonho da vida dela era me ver completar 15 anos, era a idade mais bonita na vida de uma mulher, fez uma festa linda para mim, com um vestido maravilhoso, e tinha príncipe e tudo sabia? (nesse momento eu percebi uma lagrima caindo do rosto dela).

____Mas não viemos aqui fazer terapia e sim cuidar do seu corte que está sangrando!

____ Há sim. Eu tinha ate me esquecido dele. Mas só uma coisa, não fomos apresentadas!

( ela senta na minha frente , pega um algodão e enquanto limpa o corte olha bem dentro dos meus olhos e apresenta-se)

____ Maria Eduarda.

____ Eu acho seu nome lindo sabia, seria o nome da minha filha eu tivesse.

____ Mas você não acha que esta muito nova para ser mãe não ?

(e eu sorri)

____ Bem, na verdade eu já tenho 27 anos.

____Nossa, e você acha que ter 27 anos é ser velha?

____ Não mas, gostaria muito de casar e ter filhos, ter uma família sabe. Imagino, tudo. Desde o meu casamento até eu velhinha, sentada na cadeira, contando minha vida para meus netos. Eu não quero casar na igreja, quero casar a céu aberto, num bosque talvez, um lugar que tenha muito verde,ar puro, flores lindas, quero que seja pela manha, não quero uma festa grande, só os mais íntimos, com pessoas que contribuíram para o meu crescimento e de meu futuro marido, nada daquelas pessoas que só vão à festas para comer e falar mal depois. Imagino-me grávida, com um barrigão enorme, cuidando dele é claro, para não ter estrias, não suporto nem em pensar no meu corpo cheio de estrias, mas se aparecesse uma ou duas seria por uma causa nobre! Se fosse menino se chamaria Gabriel e se fosse menina Maria Eduarda.

____ Nossa você curte mesmo essa historia de ser mãe. Como você consegue imaginar isso tudo, e a cara que você faz? Fica linda!( nesse momento acabei olhando um pouco assustada com o comentário dela, não pude disfarçar minha surpresa com o elogio) Bem, é lindo ver alguém com uma paixão assim por ser mãe.( percebi que ela tentou disfarçar o que sem querer falou sobre mim. E ela continuou olhando sem sentir que estava me deixando constrangida, eu nunca tinha sido observada por uma mulher. E ao mesmo tempo que senti medo, e pensei o porque da observação, eu me senti desejada e com um friozinho na barriga.)

____ Acho que já estou melhor, devo ir embora, meus pais devem estar preocupados comigo, disse a minha mãe que voltaria logo para casa.

____ Você mora com seus pais?

____ É ÉEEE, moro.

____ Tudo bem, vou pegar minhas coisas e te levo para casa.

____ NÃO. Digo, não é necessário, eu pego um táxi, até porque seu carro não esta aqui lembra, eu bati nele.

____ Eu sei, mas aquele era o carro do meu marido. Ligo para motorista e ele leva você me casa.

( bem ai, eu não entendi nada, como pode ela ser casada, por um momento pensei que ela poderia ser...bem, claro que não. Ela era casada, como pude pensar assim de uma mulher tão bonita e que me ajudou tanto?)

____ Você é casada?

( ela fez um pequeno silêncio, acho que não sabia o que responder, será que ela estava mentindo, talvez para sentir-se mais segura, já que havia dado bandeira d+ me admirando, ou seria casada mesmo, a final ela tinha uma aliança no dedo.)

____ Sou sim. ( bem, ela gaguejou um pouco)

____Mas você não tem muitas fotos com ele não é verdade? Não vi nenhuma por aqui na sua sala?!

____ É porque ele é muito tímido. Então vou ligar para o meu motorista e ele vem nos pegar ok?

( percebi que ela tentou desconversar )

____ Não Doutora. desculpe, Eduarda. Não é necessário, eu pego um táxi.

____ Prontinho já esta vindo, agora a gente espera. Quer descer? Podemos esperar numa lanchonete que tem ali na esquina. Eu estou morrendo de fome!

____ Fazer o que, agora que você já chamou!

____ A vida é assim querida, temos que ter atitude é isso que faz a diferença!

(na lanchonete)

... quando chegamos ela num gesto muito gentil afastou a cadeira para que eu pudesse sentar.( A lanchonete não era pequena, mais ou menos do tamanho de uma garagem, mas bem arrumada, um clima ótimo, com som ambiente)

____ Então o que vamos pedir?

____ Não sei,pra mim tanto faz,não estou com fome. Na verdade estou até um pouco nervosa ainda, saí de casa as pressas pois havia acabado de discutir com a minha mãe,ela me tira do sério.

____ Sei bem como é isso, morei muitos anos com minha família,depois que me formei,decidi sair de casa,sabe,ter mais privacidade, ter meu cantinho,minhas coisas,poder fazer tudo que eu quisesse sem dar satisfação a ninguém.

____ É eu sei, é muito bom mesmo,quer dizer deve ser muito bom. Eu ainda não tive coragem para sair de casa,deixar meu paizinho querido.

____ Mas e sua mãe? Como é o relacionamento de vocês duas?

____ Bem, minha mãe é uma mulher muito elegante, muito bonita, mas ela acha que ainda tem 20 anos, não consegue aceitar a velhice, e isso prejudica muito meu relacionamento com ela. Não se toca nas roupas que veste, quer vestir roupas para mulheres mais novas que eu, tem uma implicância enorme com meu pai, não aceita o fato dele...( Amanda abaixa a cabeça ) ter trocado ela por um homem.

____ Como ,seu pai é gay? (o mais estranho é que percebi um sorriso no rosto dela e um interesse no assunto muito grande)

____ Bem agora sim né. Afinal ele já esta morando com o namorado e tudo.

____ Nossa que legal, bem, que barra você deve estar enfrentando.

____ Na verdade não. Eu no começo até demorei para aceitar, achava estranho imaginar meu pai com outra pessoa que não fosse minha mãe, imaginar ele com um homem, mas depois eu acabei desencanando, afinal ele ta feliz e isso é que importa, fiquei pensando um monte de coisa depois do que aconteceu, por quanto tempo ele deve ter reprimido isso dentro dele. A quanto tempo estava saindo com esse cara, se traiu mamãe ou não, se ele foi feliz em seu casamento,se já teve alguma relação homossexual antes de se casar, se esse cara foi seu primeiro, tanta coisa na minha cabeça, que eu nem quero parar pra pensar nisso, se não foi enlouquecer.

____ Acho que você não deve ficar pensando muito nisso, tem certas coisas na nossa vida que não tem explicação, você sente aquilo e pronto.

( quando eu me vi estava olhando para ela e fiquei lá durante algum tempo, sem saber o que dizer,estava com um olhar perdido, mas fixo bem dentro dos olhos dela,que ficou até sem graça com o meu olhar, nesse instante um carro buzina.)

____ Vamos, o senhor Miguel chegou!

Ao sairmos da lanchonete havia um senhor com a cabeça bem branquinha, esperando do lado de fora do carro com as portas abertas.


Continua...

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